Mostrar mensagens com a etiqueta Venilale. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Venilale. Mostrar todas as mensagens

sábado, 2 de abril de 2011

Baucau e seus arredores...

Há uma semana, aproveitando o facto de estar na Pousada de Baucau o meu amigo de infância Henriques de Jesus, "meti rodas a caminho" e fui (fomos) até Baucau. O projecto era ir rever a minha "modelo" de há uns 3-4 anos, a Nafreana, que mora na estrada de Venilale a fim de lhe tirar a foto deste ano e, no domingo de manhã, ir até Laga para ver como estavam os campos de arroz que tanto me tinham impressionado há cerca de um mês, na viagem que inesperadamente fiz a Baguia e relatada noutro local.

A viagem de Baucau para Venilale decorreu debaixo de chuva mas mesmo assim deu para tirar umas fotos interessantes. Nomeadamente esta mãe e as filhas que se protegiam da chuva com folhas de bananeira, um modelo muito ecológico de guarda-chuva. E com a vantagem de ser "made in Timor Leste" e não importado da China...


Chegado a casa da Nafreana, foi a desilusão: a mãe reconheceu o meu carro e veio ter comigo e disse-me que ela estava agora a estudar em Ossu. Lá se foi a possibilidade de tirar mais uma fotografia dela. Há alguns meses atrás tinha lá estado e ela também não estava pois tinha vindo para Dili! Eu ao encontro dela e ela ao meu desencontro... Mas deixei com a mãe uma moldura em que tinha colocado as várias fotos dela ao longos dos últimos 3 anos. A mãe ficou, claro, encantada...


A criançada da vizinhança reconheceu-me também e veio pendurar-se no carro fazendo as macacadas do costume.
A casa da Nafreana fica num local muito aprazível, rodeada de arrozais em socalcos, socalcos esses que na região existem em vários locais.


Os arrozais estendem-se quase até Venilale e fui tirando fotos ao longo da estrada, uma forma de passar o tempo pois a mãe da Nafreana tinha dito que estava à espera dela.


A 2 kms de Venilale voltei para trás e parei novamente junto da casa para ver se a moçoila tinha chegado. Nicles, batatóides! De Nafreana nem sinal. Acabei por me meter de novo à estrada e regressar, ainda debaixo de chuva, a Baucau. No caminho tive de passar pelo "buraco da agulha" criado pela queda de uma árvore de grande porte.



Domingo amanheceu com o céu todo encoberto mas não chovia. Depois de "matabichar" meti-me à estrada e lá fui eu a caminho das duas zonas que queria ver e fotografar: a baixa do Seissal e Laga. O sol, entretanto ía aparecendo "afastando" uma parte das nuvens.

A zona do Seissal estava linda, com os campos de arroz semeados há pouco tempo e verdinhos, verdinhos, como só um arrozal consegue ser. Aqui e ali ainda havia pessoas a trabalhar nos campos. Alguns camponeses usavam agora, em substituição dos búfalos para pisotearem o terreno de cultivo, os motocultivadores que o Governo comprou e cedeu a alguns deles.


A planície do Seissal proporciona também imagens espectaculares dos dois Matabean: o "feto" (mulher), à esquerda, e o "mane" (homem), à direita. Por vezes consegue-se mesmo fotografá-los reflectidos na água dos arrozais.


Chegado a Laga, recordei a imagem da igreja local, onde decorria a missa matinal.


Antes de ir a Laga tinham-me também falado na "tranqueira" local. Perguntei onde era a uma moça que por ali estava mas ela ou não sabia ou não me compreendeu. E fiquei na mesma.
Segui então para apanhar a estrada para Baguia, de onde, um mês antes, tinha tirado umas fotos muito boas dos terrenos preparados para receber as plantas de arroz.

Acima e abaixo: a mesma área da várzea da ribeira de Laga
no início e no fim de Março/2011

Na zona de onde tirei as fotos há um conjunto de casas de tipo tradicional ("melhorado") da região. É em Butufalo de Laga (8º 28',633 S + 126º 36',09 E + 65mts), de onde se vê também uma paisagem espectacular dos dois Matabean, o "feto" mais próximo, e o "mane", logo a seguir.




A primeira parte da "missão" em Laga estava cumprida. Faltava dar com a "tranqueira". De regresso a Laga, vi na estrada um "katuas" que pensei ser boa fonte de informação. E assim foi: indicou-me que mais adiante estava um desvio para a esquerda que permitia chegar até lá. E lá fui eu mais o meu "Jaquim" ladeira acima até chegar a um planalto por cima da povoação. "Esta gente sabia onde colocar este tipo de edifícios", foi o meu primeiro pensamento: num alto, dominando a paisagem em redor e os acessos.


As muralhas da "tranqueira" estão bem conservadas mas a casa de habitação no interior está em ruínas. A planta do "castelo" é interessante pois em dois cantos diagonalmente opostos, permitindo cada um controlar dois lados do quadrado, há torreões redondos que embora baixos são eficazes na sua função de vigia.

Mas o que mais me admirou foi a existência, a poucos metros da construção abaluartada, do edifício da antiga Administração portuguesa. É um edifício que tem sinais de ter sdo utilizado pela tropa indonésia e isso terá ajudado a salvá-lo da ruína quase certa, como o que aconteceu com as residências de funcionários existentes em Venilale.


Trata-se de um edifício (facilmente?) recuperavel para turismo, por exemplo para uma pequena estalagem/parador quer para beneficiar da vista, espectacular, que dali se tem e permitir a visita da região quer para apoio aos que, de Dili, procuram a ponta leste da ilha, nomeadamente Tutuala e o Jaco.




Terminada a "romaria", estava na hora de regressar a Baucau. E foi no caminho de regresso que mais uma vez me deleitei com a visão dos arrozais, dos Matabean e... não só!


domingo, 3 de outubro de 2010

Traição! Traição!... :-)

Domingo, 3 de Outubro de 2010. O dia tão ansiosamente esperado ( :-)  ) de ir a casa da Nafreana e levar as fotos que lhe tirei em três anos sucessivos (2008 a 2010). Meti-me no carro e lá fui eu a caminho de Bercoli, onde ela reside, para depois seguir até Venilale a fim de tirar fotos do que resta das casas da administração portuguesa da vila. Pelo caminho e porque era domingo, viam-se as igrejas com muitas pessoas.

Vêm-se também muitas construções feitas, pelo menos em parte, de pedra aparelhada outras que se percebe estarem a serem construídas graças ao surto de algum desafogo económico recente dos proprietários, alguns deles, provavelmente, vivendo em Baucau ou Dili.
Mas também se vêm construções tradicionais.


Até que se chega a casa da Nafreana, bem na base do pequeno carreiro que leva à igreja de Bercoli, erigida num pequeno alto.


Construída em 1963, o seu interior é espartano, com uns quantos bancos corridos e alguns, poucos, pequenos altares para 3 ou 4 imagens de santos.
Segundo reza a história, neste local, aproximadamente, terá havido uma pequena capela em materiais locais onde terão existido algumas estátuas muito antigas. Uma delas seria mesmo, segundo o informador no local (o sacristão?), dos idos de 500... Teria depois sido entregue à guarda dos reis locais até que se lhes terá (?) perdido o rasto.

Chegado junto da casa da Nafreana, perguntei por ela à mãe e... Traição! Traição!... Eu vim de Dili à procura dela e ela... foi para Dili e só regressa na quarta feira!... Face ao "facto consumado" não tive outro remédio senão entregar as fotos e mais umas pequenas lembranças à mãe da Nafreana e seguir para Venilale.

A casa maior de um conjunto de outras de arquitectura colonial portuguesa, construídas no tempo do administrador Pité, pai do Luís Pité, terá sido a residência do próprio administrador. Está no estado que se pode ver nas fotos abaixo (exterior e corredor interior). É uma pena se não for possível recuperá-la e usá-la, eventualmente como ponto de apoio turístico ou mesmo para funções administrativas.
  



Mais à frente está a "Escola do Reino de Venilale". Reconstruída pela Swatch há alguns anos atrás o uso de tintas inapropriadas para este clima terá contribuído para o aspecto que tem hoje, cheio de manifestações de humidade.


Terminada a viagem, era hora do regresso e de gozar das paisagens do caminho, onde se vêm muitos locais de cultivo de arroz em terraços que, com o seu verde, dão à paisagem um aspecto por vezes paradisíaco.



Quase a chegar a Baucau, uma cena do quotidiano: na mikrolete à minha frente um pequeno passageiro tinha-se deixado dormir e "tirava um cochilo"

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Consegui!... Consegui!...

Pois é! Consegui, finalmente e apesar dos meus mais de quatro anos (por junto...) em Timor Leste, pôr os pés de molho no "tasi mane", isto é, numa praia da costa sul.
Tal feito, que contou com a colaboração preciosa do meu companheiro destas "aventuras", o meu primo RL, foi alcançado no sábado passado na povoação e praia de Adarai (8º 54' S e 126º 31' E), no distrito de Viqueque.



Claro que tivemos "público assistente": um magote de crianças da terra para quem dois malais, "armado" cada um com uma máquina fotográfica "mais que conspícua", é coisa do outro mundo, a merecer gritaria reivindicando "Foto! Foto!...". E nem serviu de nada querermos tirar uma individualizada a uma ou outra criança porque logo as outras todas se encarregavam de se colocarem ao lado ou atrás dela...


Mas esta viagem teve outro "must" para mim e que valeu as cerca de 9 horas de carro (325 kms) que fizemos e os "trocentos mil" solavancos que demos por causa dos buracos da estrada (ou, melhor, "estrada"): foi ter reencontrado uma miúda de cerca de 11 anos que já havia visto e fotografado no ano passado perto de um arrozal na povoação de Bercoli, entre Baucau e Venilale (8º 35',71 S e 126º 23',18 E; altitude: 635 mts).
E esta, hem?!...

Foto em 10.Agosto.2008

Foto em 22.Agosto.2009

sábado, 7 de março de 2009

Baucau-Venilale P.P.

"PP" é a designação que os mini-autocarros que percorrem as estradas do país ligando as diversas povoações acrescentam ao percurso anunciado por cima do pára-brisas para designar "ida e volta".

As fotos abaixo foram tiradas em Julho passado, num curto passeio entre Baucau e a vila de Venilale, a sul dela e bem conhecida por ser onde se situa a famosa "Escola do Reino de Venilale", conhecida de muitos por ter sido reconstruída, há alguns anos atrás, graças ao produto da venda de um relógio da Swatch. Ficou, então, "um brinquinho" mas já está a precisar de uma nova pintura, tal o efeito da humidade naquelas paragens tropicais, muito húmidas.


A "excursão" deu-se a propósito de ir "ciceronear" uma aluna minha que tinha ganho um prémio de melhor aluna de "Economia Asiática" (ISEG) oferecido pela Fundação Oriente (Obrigado!).
Saídos da Pousada de Baucau, rumámos a Venilale num domingo de manhã.


Pelo caminho demos uma espreitadela nas conhecidas grutas escavadas pelos japoneses durante a segunda guerra mundial e que serviram para armazenamento de munições...

... e fomos admirando os diversos tipos de construção de casas e semelhantes que se podem ver e que têm algumas características próprias, como o uso da pedra e, noutros casos, o uso de telhados de "gamuti" ou de palha muito inclinados para facilitarem o escoamento da água das chuvas e... para servirem de armazém.


Como de costume, onde há um malai, há uma criança timorense à espreita. E esta foi uma delas. Com "aquele" sorriso que só os timorenses sabem ter.


Mas também as vimos bem menos "aperaltadas" (afinal era dia de missa, não é verdade?!...) e, mesmo, uma ou outra que parecia ter saído há momentos da caverna... Não é agradável de ver e dói o coração constatar que há pessoas que vivem num estado tão, mas tão, miserável. Estas situações são, naturalmente, mais vulgares nas zonas rurais, de montanha, mas também as vi quase às portas de Dili, nomeadamente em Hera, há alguns anos atrás.

Note-se que esta região é relativamente rica, graças à abundância de água e aos muitos terrenos preparados para, em socalcos, produzirem arroz.


Tal como um pouco por todo o lado em Timor Leste, há sempre, ao virar de cada curva, um cemitério. Maiores ou menores, mostram às escancaras o sofrimento de um povo que viu alguns dos seus melhores filhos sucumbirem na luta por um país a que pudessem chamar seu.


Chegados a Venilale, dá-se logo com um antigo edifício da administração pública portuguesa, com as suas "4 águas" e as bem conhecidas telhas "de meia cana". É uma pena que ninguém deite a mão a estes edifícios, que morrem aos poucos. Não valerá a pena preservar aquilo que é, apesar de tudo, parte da memória de um povo? (na verdade, de dois...)


E porque era domingo, era inevitável ter um "encontro imediato do terceiro grau" com uma atrasada mãe com uma carrancuda filha, vaidosa e modernaça, ambas a caminho da missa, naquele dia dita pelo Bispo de Baucau.