sábado, 30 de junho de 2012

"Até qualquer dia, "vô"!...!

Sábado, 30 de Junho. O dia do regresso (por agora...) a Portugal aproxima-se a passos largos e está na hora de uma ou outra despedida mais pessoal e de arrumar a tralha, armazendo o possível (mais uma vez) em casa do meu primo Leiria.

Manhã cedo saltei da cama e fui ver e fotografar o nascer do sol, que se anunciava "limpo" por limpo estar o céu. E ele lá apareceu, como de costume sobre o mar, "entalado" algures entre a ilha indonésia de Wetar e o cabo Fatucama, em Dili, onde está a estátua do Cristo-Rei erigida pelos indonésios. Eram 6h51m.


Depois foi o tempo de acabar de me arranjar e "matabichar" antes de ir buscar os meus primos timorenses de Melbourne, ela, a Teresa, sobrinha directa do Vô Serra.

8h30m, mais coisa menos coisa estavamos a partir.

Íamos nós na zona de Comoro, já a caminho de Tacitolu quando demos com um acidente de trânsito que devia ter ocorrido poucos minutos antes: uma motorizada estava em contramão debaixo da frente de um jeep militar e o seu condutor estava no chão, previsivelmente já morto... O pão nosso de cada dia... Por mais campanhas que se façam, os acidentes deste tipo são constantes, na maior parte dos casos por culpa dos motoqueiros, inconscientes. Que Maromak cuide deste jovem, aparentemente na casa dos vinte e poucos anos... :-(. R.I.P.
Adiante.

Na zona de Tibar parámos para comprar peixe para levar ao vô Serra; só o come quando o levo pois na montanha não conseguem obter peixe fresco. Uns atuns pequenos, fresquíssimos, devem estar a fazer a delícia dele e dos vizinhos.

E preparei-me para enfrentar uma das piores partes do percurso devido ao péssimo estado da estrada, com vestígios desta no meio de tanto buraco... :-)
Ora, qual não é o meu espanto quando verifico que a maioria dos buracos foram tapados recentemente. Então não o podiam ter feito há mais tempo, seus malandros?!...
O que é facto é que a estrada melhorou bastante. Mas continuam as obras entre Liquiçá e Maubara, agora concentradas muito perto da lagoa de Maubara. Quando terminadas, a estrada naquele troço deve ficar em condições e, finalmente (espero...), arranjada por vários anos.
Muitas das obras são de construção de pequenas pontes para darem passagem às águas pluviais de algumas pequenas ribeiras que até agora, quase sem escapatória, acabavam por "corroer" os fundamentos da estrada e contribuir para a sua degradação.


E lá prosseguimos a caminho de Maubara, primeiro, e de Vatuvou, onde mora o vô, depois. Em Maubara, por ser sábado, era dia de mercado e a animação era a usual. Como já eram 9h30m algumas das pessoas já começavam a fazer o percurso a pé a caminho de suas casas, algures na montanha. Esperava-as, em muitos casos, uma caminhada a corta-mato e/ou na estrada de algumas horas... O terreno é íngreme e duvido que a velocidade média de muitas das pessoas, uma boa parte delas já com muitos quilómetros em cima das pernas devido à idade, seja superior a uns (magros) 2kms/hora... Recordo um pequeno grupo que encontrámos no início da subida e que vimos 1h30m depois, na nossa descida, que não teria andado mais de uns 2-3 kms... Quase todos do grupo eram mulheres e crianças... Os homens andam de motoreta... Mas todos com qualquer coisa à cabeça, mesmo uma criança que não deveria ter mais que uns 8-9 anos.

E ao escrever isto lembrei-me dos quadros de um pintor que vi em João Pessoa, capital da Paraíba, no Brasil. As figuras humanas tinham todas umas pernas muito grossas, como se sofressem de elefantíase. Indagado sobre a razão do aspecto de todas as pernas dos figurantes, a resposta saíu rápida e lógica: "eles são 'retirantes' e por isso têm muitos quilómetros nas pernas e quis retratar esse esforço alargando desmesuradamente as pernas!".
Em certo sentido os timorenses das montanhas são, também eles, "retirantes". No Brasil o nome é dado às populações, normalmente famílias inteiras, que usualmente por causa da seca nos seus locais de residência, se vêm obrigados a abandoná-los e tentar a sua sorte noutras paragens, fazendo dezenas de quilómetros a pé, estrada fora!... Os timorenses "não votam com os pés" mas, devido à falta de meios de transporte, fazem quilómetros e quilómetros a pé. Ou de casa para a escola, ou desta para casa, ou para ir ao mercado, ou para vir do mercado, ou para ir a uma consulta médica, etc...

Finalmente, uma hora e meia depois de deixarmos Dili, chegámos a casa do "vô". Ao som da buzinadela habitual, apareceu com o seu ar saudável e sempre bem disposto.

 Euzinho, a minha prima Teresa Serra e o tio dela e meu "vô".
Repare-se o reflexo no espelho do seu habitual "rabo de cavalo".
Modernaço nos seus 82 anos...

O amigo de longa data e fornecedor de cachos de banana ao "vô", o sr. Tomás.
Dono de um respeitável bigode, fez questão de o "afiar" para posar para a fotografia...

Uma forma de artesanato em desaparecimento: de um pano branco (para toalha de mesa), as mulheres vão retirando fios até que fiquem desenhados os motivos desejados. Trabalho moroso, de uma paciência infinita e de uma enorme delicadeza...

E por ali ficámos cerca de uma hora à conversa até que chegou o momento da partida. "Cabeça de alho chocho" só então me lembrei de uma das razões principais da minha ida: entregar-lhe o passaporte dele, caducado, que trouxera para Dili para saber o que era necessário para o renovar. E o peixe!... O peixe!... Já me tinha esquecido também do peixe!...
Tudo entregue e dados os últimos abraços e beijos e com um "até qualquer dia! Até Outubro!..." enfiámo-nos todos no "Jaquim" e viemos "de escantilhão" estrada abaixo até Maubara.

Desta vez não foi preciso parar uns minutos para dar largas às necessidades orgânicas no restaurante do Forte de Maubara mas parámos para espreitar as lojas de artesanato. E, claro, incentivar a economia local... ;-). Este vício de economista e de "banqueiro central" de incentivar as economias locais anda a custar-me caro... ;-) Rsssss


Feitas as "mercas" necessárias, voltámos à estrada, tendo-nos cruzado no caminho com camionetas carregadas de gente que se dirigiam para um comício político em Liquiçá. Campanha eleitoral "oblige"... E como esta termina no próximo dia 4 de Julho, há que "queimar os últimos cartuchos"...
Diálogo curioso foi o que se deu a propósito com um dos meus companheiros de viagem: "o meu sobrinho é da FRETILIN mas ontem foi na caravana da UDT porque ganhou uma camiseta e um depósito de gasolina cheio...". Sic. No comments...

Cartaz do PUN, com uma Fernanda Borges "resplandecente" no seu "sorriso Pepsodent"... :-)
(Ó Fernanda! Você não podia ter escolhido outro nome para o partido?!...)

Finalmente Dili e o almoço. Menu para hoje? "Strogonoff de frango com pimenta... à Taliban". Precisa explicar o nome?!... "La precisa"/Não precisa, pois não?!...Rssss


Claro que a decoração "à Taliban" foi minha... Mas a verdade é que nunca percebi porque é que os restaurantes não são mais criativos na apresentação dos seus pratos... Então este não merece estar, tal qual, em qualquer restaurante do Guia Michelin?!... Mas os copyrights são meus, meus meninos! Não se "estiquem"!... Tá?!...

sábado, 23 de junho de 2012

Manhã "histórica"

Ele há com cada uma!... Como foi possível ter passado tanto tempo sem me ter apercebido que havia uma exposição sobre os anos "negros" de Timor Leste aqui mesmo, em Dili, "debaixo das minhas barbas"?!...
É verdade! Só há poucos dias é que, em conversa com as minhas primas timorenses que residem em Melbourne, na Austrália, e que estão de passagem por Dili é que soube da existência de uma exposição na que foi, durante a administração portuguesa, a prisão da comarca de Balide, aqui em Dili.

Aspecto da prisão de Balide depois de abandonada
pela Polícia Militar indonésia em 1999

Nas suas instalações funcionou a Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor Leste que aí deixou uma exposição interessantíssima sobre a repressão política durante a administração indonésia, numa justa homenagem aos prisioneiros políticos timorenses que passaram por aquelas e outras instalações usadas, em vários locais do país, para reprimir os que continuavam a lutar pela independência do país.




Nela se apresentam vários dos locais usados pelas forças indonésias para prenderem e torturarem os timorenses. Por alguns deles passamos --- os "malaes"... --- quase todos os dias sem sonharmos com o lado "negro" da história desses edifícios. É o caso, por exemplo, do actual Hotel Plaza, do edifício Sang Tai Ho, da pousada de Baucau (ex-Hotel Flamboyant para os indonésios) e muitos outros. Do Sang Tai Ho sabia a história pois a minha prima, na época casada com um dos líderes da FRETILIN (que veio a morrer na guerra), aí esteve detida vários meses até que conseguiu sair e fugir para Portugal (e daí para Moçambique).

Nas paredes podem ver-se várias pinturas do grupo Arte Moris representanto vários dos principais direitos humanos.




Mas o "prato forte" são painéis com a lista das instalações usadas para reter os presos políticos, as listas de pessoas presas (com, em alguns dos casos, a indicação da causa da sua prisão) e referências às condições de vida dos presos e às torturas infligidas.



 


Completada a visita à prisão de Balide, aproveitei o facto de ter ainda algum tempo disponível para ir ver o "Museu da Resistência", bem perto da antiga escola "Canto Resende" e do Liceu Francisco Machado, hoje qualquer deles integrado na Universidade Nacional Timor Lorosa'e, a universidade pública timorense.

Infelizmente não é permitido tirar fotografias no interior do museu e por isso fica aqui apenas a placa exterior e o link para o mesmo para poderem saber e ver mais sobre/do mesmo.

Um conselho final: se não sabem muito bem o que fazer no vosso tempo disponível, aproveitem e façam uma "manhã/tarde 'histórica'" sem gastar muito "solar" (gasóleo...) ou "benzin (gasolina).

domingo, 10 de junho de 2012

Cerimónias comemorativas do "9 de Junho" (de 1948) (LOL)

Pois é! Ontem foi 9 de Junho e comemorei à minha maneira esse outro "9 de Junho", o de 1948, em que pela primeira vez botei o olho no mundo... :-) Verdade se diga que não me lembro de nada mas creio que é natural. Acontece a todos, né?!...

O que é certo é que as minhas comemorações do "9 de Junho" incluíram uma pitada de cada uma das coisas que mais gosto de fazer... e algumas que dispenso como mais adiante se verá.

Para além de conversar com os meus filhos, lá longe no meridiano 8º53' W contra os meus actuais 125º34' E, fiz três coisas que me dão especial prazer:
1) fui passear na montanha nos arredores de Dili, no caso lá para os lados de Dare, de onde se tem uma vista fabulosa sobre a cidade capital de Timor Leste


e onde a vegetação é luxuriante

2) em resultado da primeira tirei umas fotos interessantes (vd acima) a que se pode juntar mais uma ou outra



e 3) escrevi ou, melhor, comecei a escrever um texto relacionado com o meu trabalho no Banco Central de Timor-Leste. Adoro escrever. É o melhor relaxante que tenho. (eu disse RElaxante e não apenas laxante!...)

Mas houve algo que gostaria de ter evitado...

No frenesim de acabarem de alcatroar as ruas principais da cidade antes das próximas eleições, fecharam a avenida marginal, a Avª de Portugal/Praia do Coqueiros/Avª das Bandeiras (como lhe chamei dada a profusão de embaixadas e residências de embaixadores...). Isto num sábado à tarde em que parece que toda a gente resolveu sair à rua. O resultado foi desviarem o trânsito para a estrada de Comoro, que ficou "empanturrada" por alturas da Presidência da República, no cruzamento daquela estrada com a rua que vem da praia. Resultado, um engarrafamento monstro nesta última, onde eu estava...

Creio que o engarrafamento se tornou ainda maior quando apareceram 2 polícias a quem só faltava usar as orelhas de burro... O resto tinham (quase) tudo... Nomeadamente decidiram que quem vinha na estrada de Comoro tinha direito a andar e os outros que esperassem... Acreditam que devo ter estado cerca de 25 minutos PARADÃO às ordens de suas excelências... Não houve buzinão que os convencesse a dar passagem alternada a uns e a outros... Incrível onde pode chegar a burrice humana... Não lhes ensinem a comandar o trânsito, não!...

Resultado da espera e da "molhada" de carros que se originou, a certa altura o meu "Jaquim" deve ter dado um "beijinho" no taxi à sua frente... Vermelho e amarelo... Só faltou alguém para gritar "Arriba España!..."
Só me apercebi disso quando o taxista, moço novo, saíu do taxi e chamou a atenção do facto. Soltei um pouco as "rédeas" do "Jaquim" e a coisa teria ficado por ali não fora o tipo se ter querido armar em esperto gritando "Money!... Money!". Pensei que tivesse esfolado a pintura do carro embora achasse muito esquisito que tal acontecesse àquela velocidade 0 [zero...]. Saí e fui ver e claro que não havia dano nenhum. Nenhumzinho... E preparava-me para voltar ao carro quando me apercebi que o taxista se preparava para fazer a "manobra" habitual dos timorenses nestes casos: ir ao carro e tirar-me a chave... Cheguei primeiro e ainda houve ali uns empurrões... O que vale é que o carro é de mudanças automáticas e a chave só sai se a mudança estiver no "P"arking... O que não era o caso. Rapidamente resolvi a questão e tirei a chave e guardei-a. Mas a discussão continuava.
O que valeu foi a presença, ao lado, de um carro da UNPOL, a polícia da ONU. Tendo eu pedido a ajuda dele para resolver a questão saíu do carro e pediu ao taxista para identificar os danos... O moço "não dava uma para a caixa" em inglês nem em português e, claro, não identificou nada porque não havia nada, embora ele tentasse dizer que uns esfolões que tinha na ponta esquerda do parachoques, num local onde era impossível o "jaquim" ter tocado, tinham sido resultado do toque. Malandro! Mentiroso!
Sentença do polícia: "no dammage! No problem! Go away!..."
Finalmente o taxista convenceu-se que não estava em dia de "depenar" malai e foi embora... Mas estragou-me um bocado da tarde... O que me valeu para salvar o dia foi o bolo de chocolate que colegas minhas do Banco me foram oferecer ao hotel... Rssss!...

domingo, 29 de abril de 2012

Revisão da matéria dada (com dedicatória...)

Já o disse e repeti várias vezes que uma das minhas paisagens preferidas de Timor Leste é o extenso vale de Seloi Kraik, na estrada que liga Aileu a Gleno.
Tinha lá estado há algumas semanas atrás, quando os camponeses preparavam os campos e faziam a sementeira de arroz.
Passadas algumas semanas, lembrei-me que esta seria a melhor época para revisitar a região pois os arrozais estariam em pleno desenvolvimento antes de se iniciar a época da colheita.

Esta viagem chegou a estar prevista para umas duas ou três semanas atrás para a dar a ver a uma amiga especial que por cá andou e que como eu, adora as montanhas de Timor Leste. A "reportagem" que aqui fica é uma pequena lembrança/homenagem para ela, que não teve oportunidade de ver o que os meus olhos viram. Como o outro, procurei ser "os olhos e os ouvidos do rei"... :-) Fica para a próxima, tá?!...

A estrada para Aileu está cada vez pior mas a primeira "chapa" foi "batida" não a um dos muitos buracos ou irregularidades do pavimento mas ao resultado de um acidente pouco vulgar: uma "anguna" pôs um rodado na vala que bordeja a estrada e por ali ficou à espera que a tirassem daquele "sufoco"...



Com uma estrada que está cada vez pior (documentado na "entrada" relativa à viagem anterior a Seloi Kraik), não houve grandes motivos para tirar fotos pelo caminho. Uma excepção (e que excepção): depois de chegarmos ao topo da montanha que circunda Dili e "virarmos para o lado de lá", demos, ao longe, com o Tatamailau sem nuvens --- mas com estas a aproximarem-se rapidamente...


E finalmente, ao fim de cerca de 1h45m depois de ter saído de Dili (40 kms percorridos...), cheguei (chegámos, eu e o meu parceiro de viagem, o meu primo Leiria) ao destino. Lá estava a árvore que me serve de referência para as muitas fotos que dali tenho feito ao longo dos anos e lá estava aquele "marzão" de verde do imenso arrozal! Tl como estava, ao longe, o Tatamailau mas já encoberto pelas nuvens.




Um objectivo da viagem era entregar ao chefe de suco do local umas fotos dele e dos filhos que eu lhe tinha tirado anteriormente e por isso fui bater-lhe à porta. Surpresa: ele tinha vindo para Dili... Provavelmente cruzámo-nos pelo caminho. Entreguei as fotos à esposa e inverti a marcha, de regresso a Dili.

Por ali perto fica esta construção que parece mais um local de reunião do que uma casa sagrada

Notámos igualmente que na região há um número apreciável de pés de café arábica, Contrariamente ao que sucede noutros locais (nomeadamente em Vatuvou/Maubara), as plantas de arábica estão carregadas de frutos e alguns já mostram sinais de estarem quase maduros. Mais um mês e muitas destas cerejas estarão prontas para serem colhidas. Pena é que a colheita não seja feita criterioamente, sendo apanhadas simultaneamente as cerejas maduras e as que só deveriam ser colhidas algumas semanas mais tarde.


Uma paragem no caminho para mais umas fotos do vale e de um timorense que vinha do vale e trazia às costas um saco que inicialmente julguei ser de arroz. Só quando passou por mim é que me apercebi que "ensacado" vinha... um "babi", um leitão!



O regresso a Dili não teve mais "estória"...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Barba e cabelo, sff!... ;-)


Que ternura de imagens!... Mercado de Ali-laran, antes da saída de Dili para Aileu e para Taibessi. Cerca das 3 da tarde de hoje! Como todos os meses eu e os meus colegas visitamos os vários mercados de Dili para termos uma ideia do que está a acontecer em termos de evolução dos preços e, por isso, da taxa de inflação em Dili.
Para não haver "interferências estranhas", o malae fica no carro, na sua função de motorista do "Jaquim", e os colegas, timorenses, vão às compras... Eis senão quando hoje dou com esta cena de uma ternura enorme...



O vendedor, pacientemente e munido de uma pequena tesoura e de um pente, "fazia a barba e o cabelo" ao leitão que se preparava para vender. Assim esteve longos minutos e depois de a tarefa terminada pegou numa camisa que tinha ao lado e limpou o porco todo, não fosse ele ficar incomodado com algum resto de cabelos no corpo... E o porco estava deliciado... Nunca tugiu nem mugiu... Cenas da vida quotidiana em Dili!... Ganhei o dia!... :-)

PS - claro que perguntei o preço do bichano... 30 dólares (cerca de 22 euros). Mas desconfio que com uma boa negociação "saía" por 20 ou 22 USD... ;-)


domingo, 15 de abril de 2012

4 - dias de fim de semana - 4 !

Fim de semana de eleições, com estas a decorrerem a uma segunda-feira, deu nisto: um super fim de semana de 4 dias (de sábado a terça) porque na terça feira há "tolerância de ponto" por causa dos timorenses que, para votarem, tiveram que se deslocar aos seus distritos de origem e onde estão recenseados (foi dado um período de 4 meses para as epssoas actualizarem a sua inscrição nos cadernos eleitorais mas não serviu de nada... :-) ) e precisam de tempo para regressarem a Dili.

Aproveitando a estada em Dili de uma amiga, fui, a pedido dela, para a montanha fora de Dili. E a "montanha fora de Dili" mais perto de Dili é o Remexio... Ainda por cima adoro o local, dos mais bonitos de Timor.
E lá fomos nós a caminho do Remexio...
Como não tínhamos muito tempo, ficámo-nos pelo caminho, no recanto mais bonito do percurso: uma cascata com direito a um pequeno local para um lanche.

Aqui ficam algumas fotos do local.

O mais interessante é que eu já tinha passado no lcal várias vezes mas sempre era atraído pela cascata que está em frente de quem estaciona o carro no local. Eventualmente por nas outras épocas não haver água em abundância, nunca me tinha apercebido de que à esquerda dessa cascata havia uma outra que se reunia com ela ao nível do chão.
A verdade é que esta segunda cascata está um pouco encoberta por uma árvore de grande porte e por ramagens várias já que o local é extremamente verdejante, como se calcula. Foram precisas algumas "manobras" para me aproximar o suficiente e ver esta segunda cascata em todo o seu esplendor!



 

Imediatamente acima: imagens da cascata da esquerda, a mais alta

Para quem está em Dili e não sabe como ocupar algum do seu tempo livre, aqui está uma boa sugestão: em cerca de 2-3 horas (conforme vá ou não até à povoação de Remexio propriamente dita; e vale a pena ir) faz uma "voltinha" muito agradável... Bora?!... :-)

domingo, 1 de abril de 2012

E se de repente, saindo do nada, começasse a ouvir algo que soa a fado?!... Em pleno Dili!...

Confesso que foi com um misto de estranheza, primeiro, e de emoção, depois, que hoje ao almoço no "Arbiru" ouvi o que me identificaram como sendo uma reminescência do fado tal como deixado pelos marinheiros portugueses de quinhentos e comerciantes nossos patrícios dos séculos seguintes algures na Malásia (Malaca), primeiro, e em Java, depois...
A música foi-me identificada como o "krongcon" [leia-se "crongtchon"] --- que na Wikipedia e noutros locais aparece como "keroncong" --- e estava a ser tocada por um grupo de músicos timorenses que, disseram-me depois, há cerca de 20 anos não se encontrava para tocar. Estão agora a ensaiar para posteriormente darem alguns concertos.


O vocalista do grupo, senhor de um vozeirão que dá gosto ouvir...

O único instrumento comum com o fado é a viola, sendo os restantes versões diferentes do cavaquinho ("ukelele" na versão havaiana, levado pelos madeirenses) e o violoncelo.





Apercebendo-se de que eu era português os músicos decidiram cantar uma versão com a letra num "português mais que perfeito" que, naturalmente, me sensibilizou.
Enfim, foi uma experiência que me emocionou muito... (quem me conhece melhor sabe o que é que isto significa... ;-)  ).
Fiquei ansioso para ver o primeiro espectáculo público do grupo... :-). Daqui a cerca de um mês, ao que me dizem.

Depois do almoço com um casal amigo fui dar uma volta e dei com o início dos preparativos da Semana Santa. Nomeadamente com pequenos nichos dos passos da processão da Paixão.


Finalmente, terminei as actividades no "mercado dos tais" para ver as novidades. A principal novidade foi um calor abrasador que me fez regressar mais ou menos rapidamente ao aconchego do ar condicionado co "Jaquim", primeiro, e do meu apartamento, depois.
Mas no entrementes (ena!... Hoje é mesmo domingo...) ainda deu para espreitar um colar pouco vulgar.


E assim se passou mais um domingo... Prá semana há mais... :-)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dili - Railako P.P.

Domingo 18 de março... Acordei mais chateado que peru em véspera de Natal e decidi meter-me no "Jaquim" e começar a rolar... Sem destino! Não fazendo ideia sobre onde ir... De repente deu-me um "vaipe" e comecei a dirigir-me para a zona de Tibar para ver a paisagem e, nomeadamente, os pescadores da "aldeia peskadores" que ali há. Talvez houvesse peixe fresco...
Chegado lá, "nickles, batatóides"... "Ikan la hia"... E sendo assim, fui em frente pois para a direita seria ir em direcção a Maubara e esse percurso já é bem conhecido.
Passei frente ao Centro de Formação Profissional que Portugal ajudou a criar ali e continuei. Sempre em frente, sem destino, sem saber quando e onde voltaria para trás... E assim fui andando. Como era cedo e não tinha pressa...
A região é (e está neste momento) extremamente verdejante e só isso dá uma paisagem deslumbrante, que em alguns momentos faz lembrar Sintra.



Quando dei por mim estava a subir, a subir e a ver a ribeira de Tibar cá em baixo e depois de uma curva da estrada deparei com uma pequena povoação (Fahite) com direito a uma Escola Primária... "Rui Nabeiro"!... E a uma campa enorme, dedicada a dois heróis locais da luta pela independência. Ora toma!




Chegado aqui, só me restava uma alternativa: ou voltava para trás ou seguia em frente... :-) Segui em frente, a caminho de Railako, por onde não passava há muito tempo. "Vamos nessa, Jaquim?!..."

E lá fomos os "dois da vida airada"...  Buraco aqui, buraco ali, lá fomos andando até darmos com a estrada interrompida (sendo necessário passar por dentro da ribeira) e, mais à frente, com a ponte que marca a entrada no distrito de Ermera... E logo a seguir mais buracos, claro!






Foi logo a seguir a esta zona de buracos que dei com "ela"... :-)  Uma timorense vestida de forma tradicional do dia a dia das populações rurais. Apanhou-me com a máquina fotográfica na mão e "fechou a cara" de uma maneira que não deixava dúvidas que não queria ser fotografada. Teimoso, não resisti... Ía lá eu perder um "boneco" destes!... Sorry!...


E continuei em direcção a Railako. A vila está como eu a recordava, semi-parada no tempo mas com algumas construções que chamam a atenção, como a igreja, a escola secundária e o mercado municipal.




Estava na hora do "meia volta! Volver!..."

Inverti o sentido da marcha e voltei recambiado pelo mesmo caminho...


Junto à ribeira que tinha passado "a vau" e parei para mostrar o local e a queda de água que ali se forma ao "Jaquim" e dizer-lhe ao ouvido: "tás a ver Jaquim! Passaste para cá e agora tens de passar para lá. Tá bem, miga?!..." (ele adora que o trate assim, por "miga", à moda de Setúbal...).

E lá fomos nós. Claro que tinha de aparecer um grupo de miúdos, com um fazendo as suas macacadas...


Mais adiante, numa curva da estrada, dei com uma cachoeira que me chamou a atenção mas só depois de ter saído do carro para a fotografar é que me apercebi que havia pessoas --- mãe e filha!... --- lavando roupa aproveitando a água abundante e cristalina.


Mais umas fotos e lá vou eu a caminho da ponte de saída do distrito de Ermera. Quando passei no local lembrei-me da timorense que tinha visto na ida para Railako e prescrutei a zona para ver se a via. Nada. Só que, de repente, apercebi-me que estava um pequeno grupo de pessoas sentado na borda da estrada. Travei, fiz marcha atrás e... Lá estava ela mais uma amiga e umas crianças que percebi depois serem netas das duas.
Entretinham-se na conversa e mascando areca, fazendo as necessárias misturas, incluindo a cal.


Decidido a não sair dali sem uma "chapa" como deve ser, apeei-me do carro e meti conversa. Para me insinuar junto das avós há lá melhor coisa que tirar fotos das netas e mostrar-lhas?... Pois foi o que fiz... Rsssss!...
Remédio santo: passado um bocado já a cara "fechada" de uma hora antes se estava a abrir em sorrisos mas quando via a máquina apontada a ela o caso mudava de figura... :-) Fechava a boca, com vergonha de mostrar os dentes pretos e a masca que tinha na boca.
Mas lá consegui ir tirando uma foto aqui, outra acoli... com um sorriso aqui, outro acolá. Mas nunca consegui o sorriso franco, aberto, que queria... Paciência!... Precisava de uma ajudante que lhe fizesse cócegas enquanto eu tirava o "boneco"... Rssssss!



Feitas as fotos, meti-me novamente no carro e continuei o caminho para Dili.
O resto do caminho não teve grande história. A não ser o facto de, já em Dili, me ter lembrado de ir ver se uma das minhas "musas" (Tchiiiii" Qu'exagero!...) estava em casa, mesmo junto da "praia do cemitério". E não é que estava mesmo? Lá ficou registado para a posteridade mais um sorriso da Laura, quase o mesmo que eu vi pela primeira vez há uns 7 anos atrás espreitando para mim pelo espelho retrovisor do carro.


Sinal dos tempos: ela, que não dizia quase nada em português, conseguiu exprimir-se com alguma desenvolvtura, dando perfeitamente para a perceber. Grão a grão...