segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Consegui!... Consegui!...

Pois é! Consegui, finalmente e apesar dos meus mais de quatro anos (por junto...) em Timor Leste, pôr os pés de molho no "tasi mane", isto é, numa praia da costa sul.
Tal feito, que contou com a colaboração preciosa do meu companheiro destas "aventuras", o meu primo RL, foi alcançado no sábado passado na povoação e praia de Adarai (8º 54' S e 126º 31' E), no distrito de Viqueque.



Claro que tivemos "público assistente": um magote de crianças da terra para quem dois malais, "armado" cada um com uma máquina fotográfica "mais que conspícua", é coisa do outro mundo, a merecer gritaria reivindicando "Foto! Foto!...". E nem serviu de nada querermos tirar uma individualizada a uma ou outra criança porque logo as outras todas se encarregavam de se colocarem ao lado ou atrás dela...


Mas esta viagem teve outro "must" para mim e que valeu as cerca de 9 horas de carro (325 kms) que fizemos e os "trocentos mil" solavancos que demos por causa dos buracos da estrada (ou, melhor, "estrada"): foi ter reencontrado uma miúda de cerca de 11 anos que já havia visto e fotografado no ano passado perto de um arrozal na povoação de Bercoli, entre Baucau e Venilale (8º 35',71 S e 126º 23',18 E; altitude: 635 mts).
E esta, hem?!...

Foto em 10.Agosto.2008

Foto em 22.Agosto.2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não resisto a fazer publicidade...

... do (meu, AS) blog sobre a economia de Timor Leste. A última "entrada" tem, acredito, interesse para quantos consultam este mesmo blog à espera de encontrar informações sobre o país e suas "estórias".
Espreitem aqui, sff. É um texto sobre alguns aspectos da organização económica e social da sociedade timorense. Comentários e achegas serão bem vindos! E desculpem a publicidade...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fiel amigo... :-)

Fiel amigo?!... Qual? Este?!...


NÃOOOO! Este!


É!... Fidelíssimo! Há anos e anos que lá está, impassível, à nossa espera!... Um pouco a seguir à lagoa de Maubara (para quem vai de Dili), junto a uma escola (coordenadas: 8º 36',42 S e 125º 14',46 E). Basta olhar para os sinais de travagem para perceber que a lomba aparece totalmente de surpresa, agora (há cerca de 2-3 anos) menor graças ao sinal vertical que a assinala. Durante muitos anos havia apenas uma palavra escrita por alguém na estrada avisando do "DIP". Normalmente tarde demais, pelo que os carros "voavam" a alta velocidade e os passageiros batiam com a cabeça no tejadilho... Para gáudio da criançada que por vezes se junta na berma da estrada para gozar o espectáculo!...
Este e muitos outros buracos das estradas de Timor Leste são outros tantos "fiéis amigos" que nos esperam um pouco por todo o lado sem que se compreenda muito bem porque insistem... em não os arranjar. Será por já serem autêntico património histórico? :-) Será para servirem de justificação para se comprarem tantos "fó-bai-fó" (4x4), como diz uma boa amiga?

Qualquer dia meto-me à estrada com o meu GPS e refaço o mapa das estradas do país assinalando o local destes "amigos" omnipresentes. Com uma dupla utilidade: para os apressados, servirá de "manual de prevenção" contra obstáculos; para os turistas, será mais um guia do tipo "Lonely Planet" de mais uma das muitas atracções turísticas do país.
Já estou ouvindo a caixa registadora a tilintar...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Uma lulik

A "uma lulik" é a casa sagrada de qualquer família timorense. Entenda-se: família alargada, e não família nuclear, como tradicionalmente a conhecemos no Ocidente (e não só). Aqui como em quase todas as sociedades economicamente menos "afluentes", o que interessa é o grupo e não o indivíduo.

Um exemplo muito interessante de uma lulik é a que está quase no cima da serra que circunda Dili, na estrada para Aileu, a cerca de 30 kms de Dili.

Em 2005 ela tinha acabado de ser construída e apresentava o aspecto abaixo: linda, toda "direitinha", uma belezura!

À sua frente, como usual, o altar circular de pedras com o conhecido tronco "trifurcado". E nem vestígios da cruz cristã.

Há dias voltei a passar por lá e lá estava ela mas agora quase irreconhecível por causa dos "apêndices" que lhe juntaram: um pequeno abrigo, um letreiro e uns mastros. Provavelmente cansados de dar tanta explicação aos passantes, os "curadores" resolveram pespegar à sua frente um enorme letreiro que esconde um bocado da casa.
Enfim: assim, com um bocado de mau gosto, se alterou significativamente o visual da casa sagrada, agora meio-escondida.

Numa manifestação que já vira noutro local, acrescentaram também uma cruz. Não vá o diabo tecê-las...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Para aqueles que têm andado mais longe de Dili...

Foto tirada do morro a nascente de Dili onde estão as antenas de telecomunicações, na saída para Baucau

Prémio de criatividade e dedicação!...

Sem palavras

domingo, 9 de agosto de 2009

Clap, clap, clap, clap!...

Peço desculpa aos leitores deste blog mas não posso deixar de, no dia de hoje, em que Raul Solnado vai a enterrar, "dizer" "apenas" o seguinte: clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap!...

Estamos quase lá!...

Estamos quase no dia 30 de Agosto, quando se comemora o décimo aniversário da "consulta popular" que abriu as portas à independência (para uns; para outros e constitucionalmente é a como que "restauração da independência") de Timor Leste.
Anunciando os resultados do referendo, o Diário de Notícias apresentava então esta foto e um título que é um grito --- que podia bem ser o grito da moça da foto.

Por onde andará ela? O que pensou então? O que pensa agora?
Claro que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" mas... "one penny for your thoughts"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Uma das paisagens mais bonitas de Timor Leste

Há gostos para tudo e desde há vários anos que tenho um "fraquinho" especial por um enorme vale, usualmente cultivado com arroz, que quase de repente nos aparece pela frente quando somos suficientemente loucos para nos metermos pela estrada que, começando meia dúzia de quilómetros antes de Aileu (para quem vai de Dili), segue até Gleno.

Na falta de melhor "programa" meti-me à estrada no sábado passado e fui revisitar o local, especialmente bonito quando o arrozal está verdinho, cerca de Abril-Maio, como nas fotos abaixo tiradas em 2003.


Lá estava ele à minha espera. Tal como estava à minha espera a árvore que sempre me serve de referência e de onde tenho tirado, ao longo dos anos, várias fotografias como que a querer fazer a "história" do local em imagens. As coordenadas GPS do ponto da estrada de onde tiro as fotos são 8º 40',88 S e 125º 32',15 E (atitude: 1102 mts).

Em fins de Julho o aspecto já é mais seco mas a paisagem continua a ter a sua beleza. E tem um "plus": a visão, ao longe, do Tatamailau, por vezes encoberto pelas nuvens, outras vezes como que "ensanduichado" entre duas delas.
Curioso também é o facto de em anos de maior seca o lago que se pode ver nas fotos desaparecer completamente, como há cerca de 3-4 anos.

Julho de 2003

Agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Continuando na série do "antes e depois"...

Desta vez as honras cabem ao "Mercado Municipal" de Dili. Como estava em 2000 quando eu o "conheci" e como está agora (mais abaixo).



Lembro-me de em 2000, andava eu às voltas pela cidade com um motorista de taxi que tinha andado de "canhota" nas mãos durante vários anos e que falava um português "mais que perfeito", ter passado pelo mercado e, face ao espectáculo que se me deparou (apenas restava a fachada, tal como se vê na primeira foto), ter comentado para o motorista que o destino dele acabaria por ser deitarem tudo abaixo.
O que eu fui dizer!... Não sei bem se foi porque o sentia (creio que sim) ou se por eu ser português (também creio que sim... Eles sabem o que gostamos de ouvir, olá se sabem!... :-) ) , a verdade é que me respondeu logo com qualquer coisa como "Nem pensar! Está lá o escudo português e por isso não pode ir abaixo!...".

Seja como for gostei de ouvir, claro. E a verdade é que não foi abaixo!... Pelos vistos parece que ele lá tinha as suas razões para dizer o que dizia... Antes assim!

PS - Uau! Lembrei-me do nome dele! Era o sr. Francelino! Quase de certeza. E o taxi era daqueles azuis, relativamente comuns na altura e que tinham sido importados de Singapura.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais uma de "antes" e "depois"...

Quem diria que quem está assim...


... e assim,


... também já esteve assim (ou melhor: "assado"...) em 1999?!... (Obrigado, MC)

Indo eu, indo eu a caminho de Aileu...

... dou com esta cena (com o Tatamailau ao fundo)! Que romântico!...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cenas do dia a dia de um mercado...

Pois é: de vez em quando acontece!... Despachei-me um pouco mais cedo que o habitual e eram 7 da "matina" já estava na rua decidindo o que fazer até "pegar" às 8h.
Quase sem dar por isso e porque estou morando em Taibessi --- pois é! Trancaram o meu "dar doce lar" de Dili, o City Café --- dei comigo a caminho do mercado de Taibessi.
Carro arrumado, lá vou eu de máquina em riste para os meus "clicks". Aqui está o resultado de alguns deles!...


Venda de carne. As moscas (todas do Sporting...) tinham sido enxotadas 3 milésimos de segundo antes...

Olha a bela alface para a salada!

Rua do mercado de Taibessi

Preparando a mercadoria

Expositores dos vendedores ambulantes (peixe seco, etc)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Como íamos dizendo! Ou "Hurrah!... Finalmente!..."

Finalmente a "marvada" resolveu aceitar o carregamento de fotos! Cá estão as prometidas de alguns dos tais da exposição na "Casa Europa" referida na 'entrada' anterior.

Tais de Oecussi

Tais de Oecussi

Tais feto de Lautem

Tais de Lautem

sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Marvada" internet...

... que não me deixa fazer o "upload" de fotos de "tais" da exposição dos mesmos organizada pela Fundação ALOLA na "Casa Europa" --- na antiga "Intendência" portuguesa.
Para quem está em Dili "et ses environs" vale a pena dar lá uma saltada até 12 de Setembro. São poucos mas bons.
E comprem o catálogo (5 USD) para recordação e ilustração pessoal pois tem informações interessantes para não especialistas no assunto.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cruzamento de Colmera: três momentos...

Rebuscando no meu arquivo fotográfico dei com duas fotos do (provavelmente) mais conhecido cruzamento da cidade e resolvi "postá-las" aqui (a mais antiga, de 1999, foi-me "emprestadada"; obrigado MC).

Algures em finais de 1999

4 de Dezembro de 2002

Fins de 1999

Julho de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quando deixarão de queimar o próprio país?!...

Com o decorrer do tempo estamos cada vez mais dentro da época seca. Esta, particularmente o mês de Agosto, costuma ser o período preferido pelos timorenses --- corrijo: parte dos timorenses... --- para fazerem "queimadas". Todos os anos é o mesmo: cheguei a ver Dili quase cercada de fogo. Um crime!
E não há quem os convença de que muitas delas são desnecessárias ou, pelo menos, deveriam ser substituídas, como controlo do mato e de alguma bicharada menos desejável, por processos menos danosos para o ambiente. Mas é mais fácil lançar fogo do que pegar numa foice...

Há dias assisti a este triste espectáculo: uma queimada na zona de Metihaut, em Dili, a caminho da Areia Branca. Vejam lá se não dói a alma ver isto:

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Boa viagem para o país das caçadas eternas!...


Morreu o homem que "só" queria justiça, no caso que a Justiça (com letra grande) condenasse quem lhe matou o "Manelito" na flor da idade! Morreu Manuel Carrascalão.
Figura incontornável das últimas décadas em Timor Leste, tínhamos por ele um carinho especial justificado em entrada anterior, mais abaixo.

Que faça boa viagem para o país das caçadas eternas e que o Grande Manitou lhe permita ver as pradarias verdejantes e sem fim onde deambulam milhões de bisontes e muitos outros "justos" como ele e em que os pôr-do-sol têm a cor do seu Timor . Boa viagem! Ugh!...

.

sábado, 11 de julho de 2009

Cenas do quotidiano... na Areia Branca!

Olha uma batatinha frita!... Mnh!...Mnh!...

Ora bolas! Não consigo chegar-lhe!...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Viva o pôr-do-sol na Areia Branca!...

Amante confesso da fotografia, há dois temas, de entre muitos outros, que não me canso de fotografar: o nascer do sol em Setúbal, sobre as águas do Sado, e o pôr do sol na Areia Branca, um dos locais que "o sol, em nascendo, vê primeiro". Vejam lá se tenho ou não razão para ficar rendido a tanta beleza?

Nascer do sol no Rio Sado

2 pôr-do-sol na Areia Branca

terça-feira, 7 de julho de 2009

Yupiiiiii! Consegui!...

Finalmente consegui fazer o upload de algumas fotos!
Esta, abaixo, é de três gerações de "Serra" em Timor Leste, embora só um, o Vô Serra, aqui viva permanentemente (bota "permanentemente" nisso...). Os outros vivem em Portugal (euzinho, claro) ou, como tantos timorenses da diáspora, na Austrália.


A foto de baixo retrata um conjunto de embarcações de outras ilhas da Indonésia --- previsivelmente de Alor, Wetar ou, mesmo, de Sulawesi --- "varadas" na praia de Metihaut, em Dili. Razão da sua presença? Tudo indica que seja... contrabando. Com tanto dinheiro a circular por aqui Timor tornou-se "apetitoso" para as ilhas mais próximas... Talvez estejam aqui alguns dos milhões de USD de que andamos à procura para "fixar" a balança de pagamentos... :-)


E finalmente, um pôr do sol na Areia Branca (o de ontem). Já quase de noite um pescador entretinha-se a, com um arpão, tentar apanhar alguns peixes que ficaram presos nas águas muito baixas da vazante. Ao fundo a ilha indonésia de Alor.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Real República do Práquistão"

Lembro-me várias vezes do nome desta "República" de Coimbra e isso voltou a acontecer agora a propósito desta 'entrada': é que "práquistou"... em Dili. Depois de um saltinho a Maputo, chegou a vez de regressar a Dili por uma temporada.
A máquina fotográfica está a postos e a atenção disperta para mais umas quantas "estórias".


Eu bem queria deixar-vos aqui um 'presentinho' (um pôr do sol na Areia Branca) mas o danado do computador não me deixa fazer o upload de fotos. Terei de tentar outro... Grrrr!...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Cenas da vida quotidiana: Dili no seu melhor!

Mão amiga (obrigado, Joana!) fez-nos chegar as três fotos abaixo. São cenas da vida quotidiana de Dili, provavelmente impossíveis de encontrar noutro qualquer local. Pelo menos uma delas. Adivinhem qual... Um-dó-li-tá...
A primeira é a de um agente do F.B.I disfarçado e, na verdade, irreconhecível. Não fora a nossa fonte de informação e nem teríamos sonhado que ainda andava um agente da famosa agência investigando os atentados em Dili.


A segunda foto, abaixo, é uma homenagem ao destemor dos timorenses. "Qual 'perigoju', qual carapuça!... O que é isso para mim?!... Estou aqui tão bem, sentadinho e amparado de um lado e de outro..."


E, finalmente, fechamos com verdadeira chave de ouro! "Quem não tem cão caça com gato"? E quem também não tem gato caça com... o que tem à mão!... E é importante não o deixar escapulir-se, dando-lhe simultaneamente o privilégio de se sentir parte da família, um verdadeiro "animal doméstico" cujo dono o deixa apanhando o fresco da manhã...
Nota 20!... Ao dono e à fotógrafa!...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A "estória" nº 1 !...

É verdade! O que se segue é a primeira "estória" que me aconteceu em Timor durante as minhas estadas mais prolongadas.

Tempo e local: algures em Junho de 2001; Dili

No primeiro dia de trabalho no PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, ali na "UN House", em Caicoli, fui apresentado aos meus novos colegas. O mapa mundo --- bem... Na verdade era (quase só) o hemisfério norte... --- estava ali à minha frente: uma "branca do Tuga" como eu --- Ói, Rosa!... ---, uma coreana, um inglês, um australiano, uma norueguesa, etc.
"Lunch time" e a Rosa organiza com os demais um "almoço de boas vindas" já nem sei muito bem onde. Salvo erro num restaurante tailandês muito em voga na época entre o pessoal da ONU.
Lá fomos e "calhou-me na rifa" ficar sentado ao lado da norueguesa, rapariga boa conversadora mas feinha que se farta (Ai Maromak: aquilo não se faz!...). Tão simpática, algum defeitozito ela havia ter né?!...

Na época estava muito em discussão a questão da língua: qual deveria ser a língua oficial do país. Uns defendiam a continuação do indonésio --- "é a língua mais falada, aquela que aprenderam na escola e na região quase todos a falam" ---, outros defendiam que deveria ser o inglês. Claro que ninguém "apostava" no português. Pelo contrário!
A minha colega norueguesa, depois de apoiar vivamente o indonésio, vira-se para mim e pergunta qual a minha opinião. Macaco velho, respondi-lhe: "Eu não tenho opinião! Quem tem de ter opinião são os timorenses! Eles que escolham o que acharem que é melhor para eles."
E ela insistiu: "Mas o português [já então a opção da liderança timorense] não faz sentido! Aqui à volta, nesta região, mais ninguém fala português! Porque é que eles hão-de escolher o português?!... "
Aí "passei-me" e perguntei-lhe "ingenuamente": "Pois... Mas já agora diz-me uma coisa: à volta da Noruega quantos países falam o norueguês?"

A conversa "morreu" ali... :-)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Aquelas (longas) barbas brancas...

O "Livro" foi pensado para contar "estórias" de Timor --- ou, pelo menos, passadas em Timor. Não está, pois, na sua "matriz" comentar a pessoa "A" ou "B". Permitam-me, no entanto, que abra aqui uma excepção que, no fundo, se prende com outra "estorinha" de Timor.

Desde os primeiros tempos das minhas sucessivas estadas em Timor que me chamou a atenção um senhor de longas barbas brancas. Aquelas barbas associei-as eu, mentalmente e desde logo, à famosa história (1546) em que D. João de Castro, então Governador da Índia, solicitou aos vereadores da Câmara de Goa um empréstimo para reconstruir a fortaleza de Diu --- quase destruída em mais um ataque dos vizinhos --- dando como garantia... as suas próprias barbas (leia aqui a história).

Só depois vim a saber que aquelas barbas pertenciam a um dos irmãos "Carrascalão", concretamente a Manuel Carrascalão.

Manuel Carrascalão com o então Presidente da República Xanana Gusmão no dia 28 de Novembro de 2003, no lançamento oficial das moedas timorenses de uso corrente na então "Uma Fukun" (ex-"Intendência" durante a administração portuguesa), hoje "Casa Europa"

Vim depois a saber também a história das longas barbas brancas: pai do "Manelito" que, com muitos outros, foi assassinado na loucura de 1999 pelas milícias pró-indonésias na casa que então lhes servia de habitação (onde está hoje a sede fa Fundação Oriente em Dili, na Avª Presidente Nicolau Lobato), jurou a si próprio que só cortaria as basbas no dia em que fosse feita justiça com a condenação dos responsáveis pela morte do filho e dos demais populares que se tinham acolhido na sua casa na esperança de aí estarem protegidos.
Considerando que tal não foi feito ainda --- virá a ser? Parece que não... ---, as barbas continuam por cortar.

Talvez pela associação entre as barbas brancas e a história de D. João de Castro e sabendo da razão de ser delas fiquei sempre com a impressão de que se trata de uma daquelas figuras "de antes quebrar que torcer". Ou, como eu próprio digo por vezes, "de espinha direita". E isto apesar de não saber praticamente nada do seu passado a não ser o mais trivial sobre a origem da família em Timor. Mas aquelas (longas) barbas brancas...

Sabendo que ele está muito doente, aqui ficam os votos de que melhore e/ou padeça o mínimo possível.

(Foto "roubada" do blog de sua irmã Ângela Carrascalão. "Desculpa, senhora!...")

PS - ao lado da casa foi criado um estreito corredor de acesso ao poço onde foram encontrados vários dos corpos dos assassinados. O local, naturalmente, "virou" lulik