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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ontem prometi muito mas "mostrei" pouco...

Vamos lá corrigir a situação!...
O "poiso" habitual é, já sabem, a Pousada de Baucau.


 Que está cada vez melhor, reconheça-se. Começando logo na recepção e assistência aos clientes...


... mas estendendo-se ao restaurante (onde a espetada de peixe continua a ser a minha preferida...)... e não só. O "não só" inclui um auditório em fase adiantada de construção e o projecto de construção de uma ala nova (14 quartos), onde está hoje um edifício abandonado.



São dois melhoramentos que, certamente, muito irão contribuir para a atractividade turística da região, que tem potencialidades muito grandes. O auditório, por exemplo, dará para organizar seminários e outras actividades do género, não só de interesse mais estritamente local mas também beneficiando de alguma deslocalização de actividades que acabam por ser levadas a cabo em Dili.

Feito o reconhecimento do local e depois de bater algumas "chapas" às flores que alegram o jardim da Pousada...



... "fiz-me" à estrada e lá fui eu a caminho da baixa do Seiçal e de Laga.
A luz da manhã (juntamente com a do fim da tarde) é o "paraíso" de qualquer fotógrafo e na região isto torna-se ainda mais verdade nesta época do ano, com várias zonas alagadas e prontas para o cultivo do arroz.


 Os dois Matebian reflectidos nas águas da baixa do Seiçal

Na zona do Seiçal e porque era sábado de manhã, apanhámos o mercado local, com muita gente e o colorido usual. Produtos mais vendidos: os "verdes" (legumes, frutos) e roupa, muita roupa, "do fardo", roupas novas (ou com cara disso...) importadas em fardos de Singapura e que, com custo baixo (1-3 USD a peça, na maior parte dos casos), fazem a delícia das mulheres (timorenses ou malaes...).


E lá prosseguimos em direcção ao destino: Laga e a visão do seu vale de arrozais que se tem da estrada que dela leva para o interior, para Baguia. Claro que me interessava também "apanhar", mais uma vez, o "casal" Matabean, "mane" e "feto".



Depois foi o regresso a Baucau passando pela já nossas conhecidas "tranqueira" e ex-residência do administrador.
E foi ao descer desse "plateau" sobre a povoação de Laga que, ao querer entrar na estrada principal, "meti a pata na poça"!... Não literalmente mas quase...
Distraído com a aglomeração de pessoas e procurando desviar-me delas acabei por enfiar com a roda na vala de escoamento de águas que estava à minha frente e de que nem me apercebi. Aliás, só percebi a gravidade da situação com o alarido do pessoal e com o grito "50 dólares! 50 dólares!"... :-)
Saí do carro e quando vi a "mão" direita do meu "Jaquim" enfiada na vala o primeiro pensamento que tive foi de que o eixo tinha ido à vida... O que seria um belo 31, diga-se! Felizmente não foi nada de grave e com as 4 rodas motrizes engatadas, a marcha atrás metida e a ajuda de um pequeno magote de ajudantes (como de costume, parece que não há ninguém e depois parecem um enxame), lá tirei o meu rico "Jaquim" daquela posição. Nem me lembrei de lhe tirar a fotografia para a posteridade... Queria era "basar" dali e depressa!...
Já sei! Já sei! Querem saber em quanto me ficou a "brincadeira", né?!... Pois... 40 "paus"!... É muito?!... Sim, concordo, mas eles eram també muitos e vocês sabem como é: nestas circunstâncias vem sempre ao de cima a minha "costela" de economista do Banco Central... E o que é que um Banco Central quer? Que a economia cresça pondo dinheiro em circulação... Foi o que eu fiz... É tudo uma questão de filosofia de vida... Kkkkkkkkk! Já sabem: 0,000000000001% do crescimento do PIB em 2012 é "meu" e decorrerá directamente da minha boa acção!

Ainda a remoer a aventura, "embiquei" para Baucau e pelo caminho lá fui tirando mais umas fotos...




E quase a chegar a Baucau e face a este sorriso de felicidade, relaxei e reparei-me para o almoço...


A tarde foi para descansar das emoções e preparar a etapa seguinte. Mas esta fica para amanhã e inclui Venilale, a Nafreana, a dupla "R&R" e o que mais se verá!


sábado, 2 de abril de 2011

Baucau e seus arredores...

Há uma semana, aproveitando o facto de estar na Pousada de Baucau o meu amigo de infância Henriques de Jesus, "meti rodas a caminho" e fui (fomos) até Baucau. O projecto era ir rever a minha "modelo" de há uns 3-4 anos, a Nafreana, que mora na estrada de Venilale a fim de lhe tirar a foto deste ano e, no domingo de manhã, ir até Laga para ver como estavam os campos de arroz que tanto me tinham impressionado há cerca de um mês, na viagem que inesperadamente fiz a Baguia e relatada noutro local.

A viagem de Baucau para Venilale decorreu debaixo de chuva mas mesmo assim deu para tirar umas fotos interessantes. Nomeadamente esta mãe e as filhas que se protegiam da chuva com folhas de bananeira, um modelo muito ecológico de guarda-chuva. E com a vantagem de ser "made in Timor Leste" e não importado da China...


Chegado a casa da Nafreana, foi a desilusão: a mãe reconheceu o meu carro e veio ter comigo e disse-me que ela estava agora a estudar em Ossu. Lá se foi a possibilidade de tirar mais uma fotografia dela. Há alguns meses atrás tinha lá estado e ela também não estava pois tinha vindo para Dili! Eu ao encontro dela e ela ao meu desencontro... Mas deixei com a mãe uma moldura em que tinha colocado as várias fotos dela ao longos dos últimos 3 anos. A mãe ficou, claro, encantada...


A criançada da vizinhança reconheceu-me também e veio pendurar-se no carro fazendo as macacadas do costume.
A casa da Nafreana fica num local muito aprazível, rodeada de arrozais em socalcos, socalcos esses que na região existem em vários locais.


Os arrozais estendem-se quase até Venilale e fui tirando fotos ao longo da estrada, uma forma de passar o tempo pois a mãe da Nafreana tinha dito que estava à espera dela.


A 2 kms de Venilale voltei para trás e parei novamente junto da casa para ver se a moçoila tinha chegado. Nicles, batatóides! De Nafreana nem sinal. Acabei por me meter de novo à estrada e regressar, ainda debaixo de chuva, a Baucau. No caminho tive de passar pelo "buraco da agulha" criado pela queda de uma árvore de grande porte.



Domingo amanheceu com o céu todo encoberto mas não chovia. Depois de "matabichar" meti-me à estrada e lá fui eu a caminho das duas zonas que queria ver e fotografar: a baixa do Seissal e Laga. O sol, entretanto ía aparecendo "afastando" uma parte das nuvens.

A zona do Seissal estava linda, com os campos de arroz semeados há pouco tempo e verdinhos, verdinhos, como só um arrozal consegue ser. Aqui e ali ainda havia pessoas a trabalhar nos campos. Alguns camponeses usavam agora, em substituição dos búfalos para pisotearem o terreno de cultivo, os motocultivadores que o Governo comprou e cedeu a alguns deles.


A planície do Seissal proporciona também imagens espectaculares dos dois Matabean: o "feto" (mulher), à esquerda, e o "mane" (homem), à direita. Por vezes consegue-se mesmo fotografá-los reflectidos na água dos arrozais.


Chegado a Laga, recordei a imagem da igreja local, onde decorria a missa matinal.


Antes de ir a Laga tinham-me também falado na "tranqueira" local. Perguntei onde era a uma moça que por ali estava mas ela ou não sabia ou não me compreendeu. E fiquei na mesma.
Segui então para apanhar a estrada para Baguia, de onde, um mês antes, tinha tirado umas fotos muito boas dos terrenos preparados para receber as plantas de arroz.

Acima e abaixo: a mesma área da várzea da ribeira de Laga
no início e no fim de Março/2011

Na zona de onde tirei as fotos há um conjunto de casas de tipo tradicional ("melhorado") da região. É em Butufalo de Laga (8º 28',633 S + 126º 36',09 E + 65mts), de onde se vê também uma paisagem espectacular dos dois Matabean, o "feto" mais próximo, e o "mane", logo a seguir.




A primeira parte da "missão" em Laga estava cumprida. Faltava dar com a "tranqueira". De regresso a Laga, vi na estrada um "katuas" que pensei ser boa fonte de informação. E assim foi: indicou-me que mais adiante estava um desvio para a esquerda que permitia chegar até lá. E lá fui eu mais o meu "Jaquim" ladeira acima até chegar a um planalto por cima da povoação. "Esta gente sabia onde colocar este tipo de edifícios", foi o meu primeiro pensamento: num alto, dominando a paisagem em redor e os acessos.


As muralhas da "tranqueira" estão bem conservadas mas a casa de habitação no interior está em ruínas. A planta do "castelo" é interessante pois em dois cantos diagonalmente opostos, permitindo cada um controlar dois lados do quadrado, há torreões redondos que embora baixos são eficazes na sua função de vigia.

Mas o que mais me admirou foi a existência, a poucos metros da construção abaluartada, do edifício da antiga Administração portuguesa. É um edifício que tem sinais de ter sdo utilizado pela tropa indonésia e isso terá ajudado a salvá-lo da ruína quase certa, como o que aconteceu com as residências de funcionários existentes em Venilale.


Trata-se de um edifício (facilmente?) recuperavel para turismo, por exemplo para uma pequena estalagem/parador quer para beneficiar da vista, espectacular, que dali se tem e permitir a visita da região quer para apoio aos que, de Dili, procuram a ponta leste da ilha, nomeadamente Tutuala e o Jaco.




Terminada a "romaria", estava na hora de regressar a Baucau. E foi no caminho de regresso que mais uma vez me deleitei com a visão dos arrozais, dos Matabean e... não só!