terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

E como não há duas ("estórias") sem três...

... vamos à última da trilogia deste (passado) fim de semana por terras de Baucau.
Domingo de manhã acordei cedinho e comecei por ir ver a macacada! Sim, os macacos da Pousada de Baucau. Passado uns momentos oiço grande gritaria e alvoroço: era o tratador deles que chegava para lhes dar o "matabicho": bananas, pois claro!




Depois de eu próprio matabichar, parti ao encontro das duas professoras recém chegadas "ao pedaço" a quem tinha oferecido boleia para o passeio daquela manhã de domingo. Toda a gente  a bordo, rumámos a sul, a Venilale.
Pelo caminho fui apreciando o interesse com que viam a paisagem e tiravam uma foto aqui, outra acoli. Até que parámos na primeira paragem: a casa da Nafreana, a miúda (agora já uma moçoila...) timorense que tenho fotografado várias vezes desde que, há uns 4 anos, dei com ela numa paragem da estrada, junto à casa dela, para apreciar os primeiros terraços de cultivo do arroz.
Desilusão: tal como das duas vezes anteriores, ela não estava em casa mas sim em Ossu, onde está a estudar nas irmãs Canossianas. Como o dinheiro não abunda, nem chega a ir a casa aos fins de semana como fazia inicialmente.
Desiludido, lá me meti no carro para continuar o passeio até Venilale e mostrar a vila às minhas "penduras".
A próxima paragem foi nas grutas japonesas que existem na região (perto de Gariuai) e que terão sido utilizadas como paiol durante a Segunda Guerra Mundial. Espantadas com o "achado", lá se puseram a tirar fotos quando... ó céus!... Então numa altura destas é que terminam as baterias de ambas as máquinas fotográficas?!...... Novatas!... Rssss! :-)
Lá lhes emprestei a minha de bolso e continuámos deparando aqui e ali com vários terraços a serem cultivados com arroz.



Mais buraco, menos, buraco na estrada, lá chegámos a Venilale, onde lhes expliquei que, logo à entrada, há a antiga "tranqueira" e, bem perto, o Mercado Municipal.


A rua principal está pejada de obras com algum interesse, nomeadamente as antigas residências do administrador (um deles o administrador Pité) e de outros funcionários, infelizmente completamente em ruinas. Lá lhes expliquei a minha aventura de dois anos antes, quando "roubei" um pedaço de telha portuguesa que pejava o chão da casa do administrador que fiz chegar ao seu filho, o meu amigo Luís.

Mais adiante estão a igreja local e a famosa "escola do reino de Venilale" recuperada há alguns anos graças a uma campanha da Swatch. Infelizmente a humidade fez das suas e o aspecto exterior da escola é agora deplorável.


Isso não impediu as minhas companheiras de viagem de quererem posar junto à mesma. Feitas as fotos da praxe, voltámos ao carro e foi quando nos preparavamos para arrancar quando chegou um senhor de motorizada que meteu conversa connosco recordando que a escola tinha sido recuperada há alguns anos mas que já precisava de novo "tratamento de beleza".
Foi nessa altura que lhe falei da casa do administrador e que era uma pena estar, aparentemente, destinada a cair aos bocados antes de a recuperarem. Aí ele puxou da memória e disse que o filho do administrador Pité, que identificou perfeitamente como Luís, tinha tido um papel relevante na recuperação da escola e que prometera recuperar também a residência onde tinha morado com os pais, mostrando-se ele desgostoso com o facto. Tive então a oportunidade de "limpar a honra" do Luís (deves-me esta, pá!...)  e dizer-lhe que ele o tinha tentado fazer mas que o Governo de então não o deixou faze-lo. Coisas da História... ou da "história"...

Como era cedo avancei um pouco na estrada para Ossu mas não tendo tempo para lá chegar e voltar a horas de almoço a Baucau, decidimos voltar para trás. Digamos que o estado da estrada também ajudou à decisão... :-)


E assim voltámos para Baucau, numa viagem sem grande história. Chegados cerca das 10h30m e porque ainda era cedo, decidi levá-las a verem a baixa do Seiçal e lá fomos nós para "mais uma voltinha, mais uma viagem". Nada de novo a acrescentar em relação à "estória" anterior e cerca do meio dia estávamos de volta à Pousada de Baucau.

Surpresa (para mim): estando já a começar a almoçar com o meu amigo HJ, chegou o Duque de Bragança e lá fui eu parar ao lado deste no almoço. Não comento as conversas, claro, mas só me lembro de no fim pensar que agora compreendo muito melhor a malta do "5 de Outubro"... :-). E mais não digo...

Tentando tirar o máximo proveito da estada em Bacau, decidimos regressar apenas na madrugada de segunda. Pelo caminho, sem grande história, lá fui tirando mais umas quantas fotos.

"Grossista" de carne de "karau" perto de Laleia




 O "subão" visto de longe, da planície entre Laleia e Manatuto

"Entroncamento" de Manatuto,
com os famosos buracos "seculares"...


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ontem prometi muito mas "mostrei" pouco...

Vamos lá corrigir a situação!...
O "poiso" habitual é, já sabem, a Pousada de Baucau.


 Que está cada vez melhor, reconheça-se. Começando logo na recepção e assistência aos clientes...


... mas estendendo-se ao restaurante (onde a espetada de peixe continua a ser a minha preferida...)... e não só. O "não só" inclui um auditório em fase adiantada de construção e o projecto de construção de uma ala nova (14 quartos), onde está hoje um edifício abandonado.



São dois melhoramentos que, certamente, muito irão contribuir para a atractividade turística da região, que tem potencialidades muito grandes. O auditório, por exemplo, dará para organizar seminários e outras actividades do género, não só de interesse mais estritamente local mas também beneficiando de alguma deslocalização de actividades que acabam por ser levadas a cabo em Dili.

Feito o reconhecimento do local e depois de bater algumas "chapas" às flores que alegram o jardim da Pousada...



... "fiz-me" à estrada e lá fui eu a caminho da baixa do Seiçal e de Laga.
A luz da manhã (juntamente com a do fim da tarde) é o "paraíso" de qualquer fotógrafo e na região isto torna-se ainda mais verdade nesta época do ano, com várias zonas alagadas e prontas para o cultivo do arroz.


 Os dois Matebian reflectidos nas águas da baixa do Seiçal

Na zona do Seiçal e porque era sábado de manhã, apanhámos o mercado local, com muita gente e o colorido usual. Produtos mais vendidos: os "verdes" (legumes, frutos) e roupa, muita roupa, "do fardo", roupas novas (ou com cara disso...) importadas em fardos de Singapura e que, com custo baixo (1-3 USD a peça, na maior parte dos casos), fazem a delícia das mulheres (timorenses ou malaes...).


E lá prosseguimos em direcção ao destino: Laga e a visão do seu vale de arrozais que se tem da estrada que dela leva para o interior, para Baguia. Claro que me interessava também "apanhar", mais uma vez, o "casal" Matabean, "mane" e "feto".



Depois foi o regresso a Baucau passando pela já nossas conhecidas "tranqueira" e ex-residência do administrador.
E foi ao descer desse "plateau" sobre a povoação de Laga que, ao querer entrar na estrada principal, "meti a pata na poça"!... Não literalmente mas quase...
Distraído com a aglomeração de pessoas e procurando desviar-me delas acabei por enfiar com a roda na vala de escoamento de águas que estava à minha frente e de que nem me apercebi. Aliás, só percebi a gravidade da situação com o alarido do pessoal e com o grito "50 dólares! 50 dólares!"... :-)
Saí do carro e quando vi a "mão" direita do meu "Jaquim" enfiada na vala o primeiro pensamento que tive foi de que o eixo tinha ido à vida... O que seria um belo 31, diga-se! Felizmente não foi nada de grave e com as 4 rodas motrizes engatadas, a marcha atrás metida e a ajuda de um pequeno magote de ajudantes (como de costume, parece que não há ninguém e depois parecem um enxame), lá tirei o meu rico "Jaquim" daquela posição. Nem me lembrei de lhe tirar a fotografia para a posteridade... Queria era "basar" dali e depressa!...
Já sei! Já sei! Querem saber em quanto me ficou a "brincadeira", né?!... Pois... 40 "paus"!... É muito?!... Sim, concordo, mas eles eram també muitos e vocês sabem como é: nestas circunstâncias vem sempre ao de cima a minha "costela" de economista do Banco Central... E o que é que um Banco Central quer? Que a economia cresça pondo dinheiro em circulação... Foi o que eu fiz... É tudo uma questão de filosofia de vida... Kkkkkkkkk! Já sabem: 0,000000000001% do crescimento do PIB em 2012 é "meu" e decorrerá directamente da minha boa acção!

Ainda a remoer a aventura, "embiquei" para Baucau e pelo caminho lá fui tirando mais umas fotos...




E quase a chegar a Baucau e face a este sorriso de felicidade, relaxei e reparei-me para o almoço...


A tarde foi para descansar das emoções e preparar a etapa seguinte. Mas esta fica para amanhã e inclui Venilale, a Nafreana, a dupla "R&R" e o que mais se verá!


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Baucau, Seiçal e Laga... lição revista mas não aumentada...

Mais uma vez meti-me à estrada e fui a Baucau, ao re-encontro do meu amigo de infância Henriques de Jesus, o "a modos que" adjunto "económico" da diocese de Baucau.
A viagem não teve história... nem "estórias": a mesma paisagem linda do "subão" --- ou "desção" conforme o sentido da marcha... :-) ---, dos arrozais na zona de Manatuto e da zona de Laleia e a mesma árvore isolada numa curva antes de entrar em Manaturo (uma das "minhas" árvores em Timor Leste). Ah!... E os mesmos --- os mesmíssimos!... --- buracos que encontrei há 11 anos no "entroncamento" entre as estradas interior e exterior de Manatuto, já passada a cidade. Velhos e fiéis amigos! Melhor só o bacalhau! Sempre ali à nossa espera para nos darem uma "massagem" nas costas e desejarem boa viagem!... Obrigado companheiros! Como diriam os nossos amigos do norte (de Portugal), aqueles buracos são já uma "instituiçom"!... No dia em que desaparecerem vai haver muita lágrima vertida!...




Mais adiante apanhámos uma chuvada mas passou depressa. Chovia quando passámos Bucoli e a ponte que, mais à frente, nos obriga a descer para um desvio por ela ter vindo abaixo há uns largos meses. Mas está em reconstrução e mais dia, menos, dia, estará operacional.
Depois foi a vez das rectas para o aeroporto, primeiro, e deste até Baucau, depois, com chegada à pousada no horário previsto --- 3 horas, mais coisa menos coisa, depois da saída de Dili.

Os "Matebean" em plena luz da tarde

Mais tarde foi o jantar com o nosso amigo e duas das professoras do grupo (cerca de uma dúzia) que chegou recentemente a Baucau para continuarem e desenvolverem os trabalhos da "escola de referência" local, fruto do acordo de cooperação entre Timor Leste e Portugal.
Ainda um pouco assarapantadas com as diferenças entre a vida em Portugal e em Bacau, procuram ambientar-se e "tocar em frente" a sua missão.
Lamentavelmente não previram um apoio em transporte fora do normal casa-escola-casa e a falta de mobilidade tem as suas consequências. Incluindo psicológicas.
Acabei por as desafiar e hoje, domingo, fui "apresentar-lhes" Venilale e a baixa do Seiçal. Uma lufada de ar fresco nos seus fins de semana, que levam tanto tempo a passar...
Nelas aqui fica a minha homenagem a todos os porfessores portugueses que, em iguais circunstâncias e até piores (alô Same! alô Oecusse!), dão o melhor de si para contribuirem para a melhoria do sistema de ensino em Timor Leste. Um esforço que, temo, muitos não se apercebam em Portugal: pessoas "arrancadas" ao seu meio amiente normal e que, apenas com o mínimo dos mínimos de condições, se aventuram até ao outro lado do mundo, onde, por vezes, faltam as coisas mais básicas e de que nem damos pela sua presença no nosso dia a dia. Bem hajam, "R&R" e restantes companheiro/as!...

Amanhã há mais... ;-)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

2 em 1: dois fins de semana numa história só...

Regressado há duas semanas a Timor Leste, no fim de semana seguinte fui, naturalmente, re-visitar o "Vô" Serra. Estava (está) são como um pero e ficou radiante com as prendas que lhe levei: umas enviadas pelo seu irmão António (azeite da terra deles e uma garrafinha de licor de laranja que ainda vai dar que falar... :-) ) e outras minhas (duas T-shirts com a "griffe" "Vô Serra" e umas fotos do irmão, que ele não via há quase 50 anos!)
"Vô Serra": não tentem copiar porque está protegida por copywrong... 

O Vô tentando reconhecer o irmão que não via há quase 50 anos...

O resto da visita não tem grande história: o desfiar do que se passou na minha ausência, a sua saúde, etc.

Hoje (4/Fev/12) foi dia de retornar à estrada e escolhi para isso revisitar um dos meus locais preferidos nos arredores de Dili: o vale de Seloi Kraik, perto de Aileu.
Meti-me à estrada e fiquei "pasmo" com o mau estado da estrada. Incrível! Como é possível. Eu sei que estamos em plena época das chuvas e que isso agrava a situação mas a verdade é que não esperava que a estrada Dili-Aileu estivesse na desgraça em que está. E já estava mázinha há alguns meses atrás....



Pelo caminho deu para tirar uma ou outra foto da paisagem (física e humana...):


Mulher timorense: infelizmente ainda o principal "burro de carga" do país

Aos trancos, com saltos e mais saltos, lá cheguei ao destino. Primeira preocupação: fotografar a paisagem tendo como ponto de referência a "minha" árvore. Que está agora um bocado "despida" e, desconfio, com uns ramos a menos...


Infelizmente o céu estava muito encoberto e não deu para ver o Tatamailau. Mas a beleza da paisagem, com parte do vale inundado ainda com água e uma parte cultivada ou a ser cultivada com arroz, essa estava lá toda, proporcionando imagens espectaculares.




Uma vez no local lembrei-me de ir visitar o meu amigo Pica, o chefe de suco local, o tal que deve o seu nome a um antigo militar português que resolveu batizá-lo com o nome de um dos irmãos.

Depois de dois dedos de conversa e de me ter explicado que o que eu tinha visto no caminho junto a uma escola nova era o conjunto dos alunos a prepararem o terreno circundante da escola pois havia o risco de esta, com uma boa chuvada, ficasse isolada.


E estava na hora de regressar a Dili. Uma hora e meia de viagem depois, com algum nevoeiro à mistura --- na verdade eu estava era "nas nuvens"... :-) ---, cheguei a Dili. Não sem ter apanhado um susto pelo caminho... Mas não digam nada!... Tá?!... :-)


Duas notas finais positivas: gostei de ver os caféeiros carregados de cerejas, anunciando uma colheita boa neste ano (que se segue  auma muito má no ano passado) e gostei também de ver que, apesar dos buracos na estrada, se estão a fazer alguns "cortes" de curvas desnecessárias, eliminando-as com novos trajectos e alargando a estrada. Continuem...



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Maldita tradição... :-) (pelo menos alguma dela...)

Esta é uma 'entrada' diferente do habitual porque não tem que ver com viagens mas com um aspecto cultural relevante: os casamentos "arranjados" entre famílias timorenses...
Não que eu saiba muito sobre o assunto... Mas desta vez tocou à porta de uma amiga minha...
Namorando há cerca de 3 anos um "GNR", viu a família começar a fazer o cerco com o habitual "vê lá mas é se casas e tens filhos...", de que não estão ausentes interesses "comerciais (?) relacionados com o barlaque. É que estava-se mesmo a ver que com o GNR não haveria barlaque, enquanto que se ela casar com um timorense...
Bem dito bem feito: há cerca de um mês o "cerco" apertou-se ainda mais e foi como que "encostada à parede". Ela ainda gritou por socorro, apelando ao namorado para que a tirasse daqui... Mas nada!
Resultado: hoje disse-me que iria, muito provavelmente, casar com o pretendente timorense "até porque ele já se entendeu com a minha família"...

Tradições...

domingo, 28 de agosto de 2011

Uma voltinha (?) pela manhã com Dili a meus pés!

"Romingo" é dia de descanso para a maior parte. E para mim também... Só que o meu descanso é outro: é feito de solavancos e de poeira nos passeios com o meu "Jaquim"!... Este não fugiu à regra, que por ser regra me faz uns frenicoques danados se não a cumpro... E hoje cumpri.
Mais uma vez saí de "casa" sem destino mas entretanto lembrei-me que uma amiga minha estava quase de regresso a casa (=Portugal) e não teria tido a oportunidade de... ter Dili a seus pés... :-)

Uma curta troca de mensagens deu para saber que estava já "comprometida": uma saltada a Maubara com família residente aqui.
Mas "Serra" é teimoso e lá fui eu, sózinho, para ver (e ter) Dili a meus pés... Provavelmente a melhor vista de Dili é a que se tem de perto de umas antenas da TT na saída de Dili para nascente, no alto da subida depois de Becora.
E lá fui eu "trever" ou "quadriver" a paisagem que se avista dali. É mesmo "Dili a meus pés"!



Das outras vezes fiz 180º e voltei pelo mesmo caminho pois convenci-me que a estrada (Rsssssssss!...) não tinha saída. Desta vez, depois de enviar uma mensagem à minha amiga dizendo "Dili a meus pés mas não aos seus! Bem feito! Bem feito! Bem feito!...", continuei em frente.
Quando dei por mim estava numa descida de muitos, muitos "grauseses" mas com uma vista espectacular à minha frente sobre o Cristo Rei e as praias da zona. Parei o carro, travei-o o mais que podia e saí para mirar a paisagem. Mas... é sempre assim: quando estamos "numa boa" aparece alguém... No caso era uma "anguna" que queria passar. Lá tive de regressar ao carro, encostar o "Jaquim" o mais possível à montanha, e "bater" mais umas fotos.


Entretanto, enquanto eu vinha "de escada abaixo" pela encosta, dei com duas senhoras a fazerem treking "escada acima"... Só depois me apercebi que uma delas era minha amiga. "Ai Maromak! O que fazem aqui?!...". "Estamos subindo a montanha, fazendo exercício, claro!... O Zé [marido] ficou lá em baixo no café e nós viemos por aí acima e daqui a umas horas vamos ter com ele....". Claro que enviei logo uma mensagem ao Zé a dizer "Encontrei duas doidas a subir a montanha a caminho das antenas da TT!... :-)" e obtive como resposta que estava no bem bom na Areia Branca...

Depois continuei, sempre com todas as cautelas mas com um olho na estrada e outro na paisagem. Ou um na paisagem e 3 ou 4 na estrada? Já nem sei!...


A estrada ía ficando cada vez pior e o "Jaquim", qual cavalo de "saltos", de vez em quando parava, olhava para ela e ficava a pensar... Por vezes precisei de lhe dizer ao ouvido "Então "Jaquim"? Já passaste por bem pior! Vamos a eles?!...". E com este encorajamento lá se metia em mais um buraco para sair todo satisfeito um pouco mais à frente!...


Já um pouco perdido, sem saber se a estrada iria desembocar na marginal ou em Becora, lá fui perguntando o caminho. Iria ter a Becora. Só que, quando dei por mim estava no meio da ribeira e tive de andar uns bons 500 metros pelo leito até encontrar a saída para a outra margem.


E foi assim que fui parar junto da estação eléctrica de Becora, que vai receber as linhas de alta tensão vindas da central de Hera e transformar a electricidade em voltagem mais "comestível"...


Pouco depois estava de volta à estrada de Becora depois de ter percorrido o caminho assinalado no mapa abaixo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Eureka! Já sei!..." ou "De como uma coisa difícil se torna fácil!..." :-)

Já sei tudo! Tudinho!... E vocês não sabem! Bem feito!...
E só sabem se eu contar!... :-)
"Prontes"!... Tá bem! Eu conto!...
Então é assim!...

Lembram-se da estátua do Dom Boaventura de Manufahi que o meu amigo Rui Fonseca "descobriu" algures em Campo Alor, em Dili? Pois bem... Fui lá e tirei-lhe umas fotos mas ficámos todos na mesma: quem era o autor, como apareceu ali e a que local se destinava?


Coincidência das coinciências, descobri hoje que um colega meu do Banco Central... mora na rua onde está a estátua. E contou-me tudo! Tudinho!...
Estamos algures em 1999 e o governador do distrito de Dili resolveu mandar fazer a estátua para a colocar... no "fruteiro", isto é, na rotunda que vai para o aeroporto.
Encomendada a obra a um indonésio, foi feita ali perto. Entretanto começa a confusão com o referendo e tudo o que se seguiu e a estátua, praticamente acabada, ficou onde tinha sido feita, num terreno ali perto.
Só muito mais tarde é que um grupo de amigos residentes na zona resolveu pegar na estátua e leva-la para onde se encontra agora.
O curioso é que o anterior governo (FRETILIN) sabia da existência da estátua, tal como este sabe. Mas nunca ninguém tomou a iniciativa de a usar. Por se tratar de obra indonésia? Por a cara do D. Boaventura não se parecer com a foto que existe dele (sabem que quando a vi pensei logo nos livros do "Sandokan, o tigre da Malásia"? Não é parecido com ele?!... :-) ). Porque há sempre qualquer coisa mais urgente para fazer?

Cópia da foto original do D. Boaventura
disponibilizada pelos herdeiros

Seja qual for a razão a verdade é que ela "práliestá", meio esquecida. O meu chefe, homem de 40 anos de Dili, dizia-me que nunca tinha ouvido falar dela!
Enfim! Está esclarecido o mistério! Eureka!...